Quentin Jerome Tarantino, desde
“Pulp Fiction” – que não foi seu primeiro filme, mas foi o que jogou holofotes
sobre sua obra – vem conquistando não só admiradores de seus filmes, mas uma
legião de fãs que idolatram e vibram com sua maneira de filmar.
O diretor americano, porém, não
escapou também de angariar alguns detratores. Críticos que não simpatizam muito
com seu jeito peculiar de fazer longas. Isso porque, errando ou acertando,
Tarantino faz os filmes que ele quer, do jeito que ele quer. Não se importa com
a chatíssima onda politicamente correta que toma conta da sociedade. Não se
preocupa se sua arte vai gerar polêmicas ou não.
Dessa forma, seu mais novo filme
“Django Livre” seguiu a cartilha de polêmicas tarantinescas. Assim como seu
antecessor, “Bastardos Inglórios” que gerou polêmica por mexer no campo minado
que é a questão da segunda guerra mundial, mostrando como protagonistas um
grupo de soldados de origem judaica tão cruéis e sanguinários quanto os
nazistas, “Django Livre” criou grande polêmica com a questão sempre espinhosa
da escravidão. Ainda mais num país tão preconceituoso como os EUA.A polêmica já
surgiu com uma declaração de Spike Lee afirmando que não iria ver “Django
Livre” pois a história da escravidão nos EUA foi um holocausto e não um western
spaghetti. Depois de Lee, vieram críticos e até historiadores opinando sobre o
filme.
A verdade é que, polêmicas à parte,
“Django Livre” é mais um excelente filme feito por Tarantino. O roteiro escrito
pelo próprio diretor é impecável. A fotografia de Robert Richard é fascinante.
O elenco esbanja competência e conta com um show de Cristoph Waltz. A trilha
traz uma boa mescla entre músicas que lembram bem os antigos filmes de faroeste
no melhor estilo Sérgio Leone e black music representada pelo hip hop de
protesto norteamericano. A sanguinolência habitual de Tarantino é aliviada por
boas doses do humor peculiar do diretor. O resultado disso tudo é um filme que
se não chega a ser tão bom quanto o anterior “Bastardos Inglórios”, aproxima-se
muito.
O longa conta a saga de Django
(Jamie Fox), um negro escravo que torna-se um homem livre e tenta resgatar sua
esposa que é escrava numa fazenda. Na primeira metade do filme, Django atua
como caçador de recompensas ao lado do dr King Shultz, personagem de Waltz. É
nessa parte do filme que Tarantino nos apresenta uma espécie de homenagem ao
gênero de faroeste. Na segunda metade, o filme assume um tom mais épico e
político. Onde o protagonista vive quase um epopeia para resgatar sua esposa da
fazenda do personagem vivido por Leonardo Dicaprio.
“Django Livre” está longe de ser um
filme definitivo sobre a escravidão em solo americano, mas também não é um mero
spaguetti. É sim um grande filme sobre amor, sobre escravidão, sobre vingança,
que traz várias referências cinematográficas e com certeza fará com que o
público não saia da sala do mesmo jeito que entrou.
Nilvio P. Pinheiro


