"A Arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Gláuber Rocha

sábado, 24 de dezembro de 2011

Crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre a música A BANDA, de Chico Buarque, vencedora do Festival da Música de 1966

ANO DE 1966.
ANOS DE CHUMBO.
ANO DO II FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA DA TV RECORD


Disputa acirradíssima pelo prêmio de melhor música entre "Disparada", de Geraldo Vandré e Teófilo Barros Neto, defendida por Jair Rodrigues, acompanhado pelo Trio Marayá e pelo Quarteto Novo, e "A Banda", de Chico Buarque, defendida pelo próprio e também pela musa da bossa nova, Nara Leão, acompanhada por uma bandinha de verdade.

Na noite da finalíssima o Teatro Record, com capacidade para 500 espectadores, ficou pequeno para abrigar as acirradas torcidas dos "bandidos" e dos "disparados".

Resultado: Empate, para alívio da coordenação do Festival que temia a reação da torcida perdedora, pois afinal uma festa daquela magnitude, mostrada pela TV, não poderia terminar em confusão.

Foi Chico Buarque quem sugeriu o empate entre as duas canções, apesar do resultado ter sido sete a cinco favorável "A Banda". Segundo Wagner Homem, o sigilo foi mantido por quase quatro décadas, ficando os votos guardados num cofre, a sete chaves, na casa do pequisador e escritor Zuza Homem de Mello, que só revelou os números no seu livro, "A Era dos Festivais - Uma Parábola". Ainda segundo o autor citado, Chico jamais fez qualquer comentário sobre o epísodio.

"A Banda" foi um enorme sucesso. Muitos foram os elogios recebidos, com destaque para nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, que dedicou-lhe uma crônica, publicada no "Correio da Manhã", a qual transcrevo abaixo.


"O jeito no momento é ver a banda passar, cantando coisa de amor. Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.


A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não, escancará-la, é subir ao terraço como fez o velho que era fraco mais subiu assim mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa. Viva a música, viva o sopro de amor que a música e a banda vêm trazendo, Chico Buarque de Holanda à frente, e que restaura em nós hipotecados palácios em ruínas, jardins pisoteados, cisternas secas, compensando-nos da confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda dos sonhos que o desamor puiu e fixou, e que são agora como o paletó roído de traça, a pele escarificada de onde fugiu a beleza, o pó no ar, a falta de ar.

A felicidade geral com que foi recebida essa banda tão simples, tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, que um rapaz de pouco mais de vinte anos botou na rua, alvoroçando novos e velhos, dá bem a ideia de como andávamos precisando de amor. Pois a banda não vem entoando marchas militares, nem a festejar com uma pirâmide de camélias e discursos as conquistas da violência. Esta banda é de amor, prefere rasgar corações, na receita do sábio maestro Anacleto de Medeiros, fazendo penetrar neles o fogo que arde sem se ver, o contentamento descontente, a dor que desatina sem doer, abrindo a ferida que dói e não se sente, como explicou um velho e imortal especialista português nessas matérias cordiais.

Meu partido está tomado. Não da Arena nem do MDB, sou desse partido congregacional e superior às classificações de emergência, que encontra na banda o remédio, a angra, o roteiro, a solução. Ele não obedece a cálculos da conveniência momentânea, não admite cassações nem acomodações para evitá-las, e principalmente não é um partido, mas o desejo, a vontade de compreender pelo amor, e de amar pela compreensão.

Se a banda sozinha faz a cidade toda se enfeitar e provoca até o aparecimento da lua cheia no céu confuso e soturno, crivado de signos ameaçadores, é porque há uma beleza generosa e solidária na banda, há uma indicação clara para todos os que têm responsabilidade de mandar e os que são mandados, os que estão contando dinheiro e os que não o têm para contar e muito menos para gastar, os espertos e os zangados, os vingativos e os ressentidos, os ambiciosos e todos, mas todos os etcéteras que eu poderia alinhar aqui se dispusesse da página inteira.

Coisas de amor são finezas que se oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las, distribuí-las, começando por querer que elas floreçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos que cobre a área de nossa vida particular: abrangem terreno infinito, nas relações humanas, no país como entidade social carente de amor, no universo-mundo onde a voz do Papa soa como uma trompa longíngua, chamando o velho fraco, a moça feia, o homem sério, o faroleiro... todos os que viram a banda passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicar a alma da gente". (Carlos Drummond de Andrade)

Retirado do Blog Portal Luis Nassif

CARPE DIEM

Estava bastante animado, saindo para aproveitar o meu primeiro dia de férias. Deixei o carro no posto para ser lavado, já que ele estava uma verdadeira vergonha de tão sujo, e me pus a caminhar para aproveitar o sentimento de liberdade que as férias nos dão. Foi quando me deparei com uma colega de trabalho cujo marido estava doente. Ela estava sentada em uma lanchonete em frente a um hospital. Quando fui cumprimentá-la, ela me abraçou e desatou a chorar. Fiquei sabendo então que a situação do seu esposo era mais grave do que me fora divulgado. Ele estava com câncer. Ela me disse que não podia acreditar no que estava acontecendo. Seu marido era um esportista, corria, malhava, era forte e, de repente, estava ali, desenganado pelos médicos. Fiquei um pouco com ela para tentar confortá-la, consolá-la, se é que isso é possível numa circunstância como essa.
Depois voltei a andar, mas dessa vez toda a euforia das férias havia ficado sem importância alguma. Na verdade refletia sobre a super-importância que damos a coisas que não deveriam merecer tanta preocupação. O ser humano está vivendo mais e um tanto quanto melhor, mas nossas vidas continuam sendo finitas e imprevisíveis. Podemos viver 80 ou até 100 anos, como podemos viver 30, 20 ou até menos. E, mesmo diante da total imprevisibilidade da vida, insistimos em nos ocupar com banalidades sem importância. Perdemos tempo diante de aparelhos de TV para assistir programas que não nos acrescentam em nada como os diversos realitys shows que vemos por aí. O mundo burguês nos ensinou a supervalorizar o dinheiro e bens materiais, em detrimento das relações humanas. Achamos que expressões como “dinheiro não traz felicidade” são hipocrisia, que, na verdade, até um certo ponto, não deixam de ser, mas o dinheiro desacompanhado de pessoas queridas, de realização pessoal, de qualidade de vida, não trará felicidade alguma. Deixamos o consumismo e a vaidade exagerada regerem as nossas vidas. Nos tornamos escravos do mercado, escravos do capital.
Relutamos em nos dedicar a causas sociais, nos esquivamos de assuntos mais complexos, perdemos nossa capacidade de buscar conhecimento, perdemos o que Paulo Freire chama de “curiosidade epistemológica”, para quê? Ao quê nos dedicamos? Estamos cada vez mais nos transformando em pessoas alienada e imbecilizadas e a maioria de nós não faz nada para impedir isso, não faz nada para mudar o quadro. Claro! Estamos preocupados demais em ganhar dinheiro, em ser o “alguém na vida” que tanto ouvimos falar quando mais novos. E, por conta, disso vamos nos futilizando cada vez mais. Nossas vidas vão ficando cada vez mais vazias e desprovidas de sonhos, de objetivos. Não falo do sonho de ter um carro zero ou uma casa de praia, falo de objetivo de vida, de sentido, de significado. Nossas vidas vão escorrendo feito areia numa ampulheta e vamos vendo-as passar enquanto nos ocupamos demais, nos estressamos demais com coisas que, podem até ter a sua importância, porém não deveriam ser tratadas como primordiais. De repente estamos velhos ou mortalmente doentes e nos damos conta que não investimos em nós como deveríamos, não investimos nas nossas famílias, em nossos amigos, em nossas relações sociais. Uma vida vazia de ideais. Claro que a vida corrida que temos hoje tem sim a sua dose cavalar de estresse e vez por outra precisamos de uma diversão escapista, precisamos respirar com futilidades e banalidades, o problema está com aqueles que só se prendem a isso. Esquecem que há um mundo a sua volta. Que coisas importantes acontecem o tempo inteiro em todos os continentes, ainda assim há aqueles que não estão antenados ao que acontece até mesmo no seu bairro. As vidas de certos indivíduos vão ficando cada vez mais pobres. Há pessoas que não vivem, deixam-se governar. Viver,é muito mais do que estar simplesmente vivo. Não raro vemos pessoas que ficam presas a uma cadeira de rodas e desse baque, dessa limitação, tiram força para se dedicar um esporte para cadeirantes, ou a causas sociais que defendam pessoas na sua mesma situação. Será necessário algo tão brusco para que nos demos conta da breviedade da vida? Repito: uma vida sem ideais é uma vida vazia. Pode ser que quando nos dermos conta, a vida passou e ela não teve significado algum.
Qual a mensagem que queremos que nossa vida passe para nossos filhos ou nossos semelhantes? A de alguém que não produziu nada? Não defendeu opinião alguma? Não se posicionou criticamente de forma alguma? A de alguém que era escravo do consumismo e da mídia? Que se deixava governar? Se um mega milionário morresse hoje, mesmo com todo o dinheiro dele, dentro de 50 anos ou mais ninguém se lembraria dele. Agora, a vida, a mensagem de luta do pobre líder seringueiro Chico Mendes nunca será esquecida, portanto, carpe diem para todos, mas com consciência, com posicionamento crítico, o mundo agradecerá.

Nilvio P. Pinheiro

domingo, 11 de dezembro de 2011

Curta-metragem A PENSÃO DO CARANGUEJO

Caras pessoas,
indico a vocês o curta-metragem A PENSÃO DO CARANGUEJO, de Marcelo Presoto. Muito interessante. Confiram no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=kZIRavidL3g&feature=related

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.


Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

                          Alberto Caeiro (heterônimo de Fernado Pessoa)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Entre ações e acionistas

Nosso velho Machado de Assis não cansa de nos passar lições sobre a atualidade – ele, que morreu há mais de cem anos. Há mesmo quem diga que o velhinho está escrevendo cada vez melhor... Essa força vem, certamente, da atualização, sempre possível e vantajosa, dos escritos machadianos. Melancolicamente, isso também significa que a história da humanidade não avançou tanto, pelo menos não a ponto de desmentir conclusões a que Machado chegou em seu tempo.
Num de seus contos, lembra-nos o escritor que os homens, sobretudo os de negócios, costumam reunir-se em associações empresariais, mas cada um dos acionistas não cuida senão de seus dividendos... A observação é ferina, pelo alcance que lhe podemos dar: é o egoísmo humano, afinal de contas, que está na origem de todas as nossas iniciativas de agrupamento e colaboração. É o motor do interesse pessoal que nos põe em marcha na direção de um objetivo supostamente coletivo.
Haverá muito exagero, talvez, nessa consideração machadiana – mas ela não deixa de ser instigante, obrigando-nos a avaliar os reais motivos pelos quais tantas vezes promovemos agrupamentos e colaborações. É como se Machado desconfiasse da pureza ética do nosso suposto desprendimento e preferisse vasculhar em nosso íntimo a razão verdadeira de cada ato.
Com a referência às ações e aos acionistas, o escritor pôs a nu o sentido mesmo do capitalismo, esse sistema econômico ao qual todos aderem para garantir sua parte. A crise que se abateu recentemente sobre os Estados Unidos, com repercussão mundial, provou que, quando todos só querem ganhar, todos podem perder, e o decantado associacionismo acaba revelando seu rosto mais cruel. Talvez seja melhor torcermos para que Machado nem sempre tenha razão.

Júlio Ribamar de Castilho

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SONETO DE NATAL

Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto . . . A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"


Machado de Assis
 

PAPAI NOEL VELHO BATUTA

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista


Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres


Pobres, pobres

Mas nós vamos sequestrá-lo
E vamos matá-lo


Por quê?

Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal


Por quê?

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista


Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres


Garotos Podres; Álbum: Mais Podres do que Nunca