Quem assistiu a filmes como “O Pagamento”, “Sobrevivendo
ao Natal”, “Demolidor – O Homem sem medo”, entre outros filmes medíocres
estrelados por Ben Afflec, não deve ter pensado muito diferente de mim, que o
ator californiano é um merda!
Pensei isso dele por um bom tempo, e mesmo
quando ele começou a ganhar boas críticas na direção de “Medo da Verdade”,
ainda me mantive cético quanto a seu talento. Porém confesso que esse ceticismo
se viu forçado a ruir hoje, após assistir “Argo”, filme em que Ben Afflec
dirige e atua.
Ben Afflec redime-se e também joga um pouco
de alento no cinemão americano que produz muito mais lixo do que filmes
apreciáveis. “Argo” é um filme político de qualidade indiscutível. A história
se passa em 1979, após a invasão da embaixada americana no Irã por
manifestantes que pediam a deportação do ex-governante iraniano, Xá, um ditador
iraniano que chegou ao poder através de um golpe de estado chancelado pelos EUA
por meio da CIA e foi responsável por um período de miséria do povo iraniano. Xá
foi deposto após a Revolução Iraniana e conseguiu asilo na sua nação-madrinha, os EUA. Diante disso, militantes
revolucionários tomaram a embaixada americana em Teerã e fizeram reféns os
funcionários que lá se encontravam. O objetivo era forçar os estadunidenses a
libertar o ex-ditador.
Em meio à confusão, seis reféns escaparam e
foram parar na casa do embaixador do Canadá no Irã. Para libertá-los antes que
os iranianos dessem por falta, o agente da CIA, Tony Mendes, interpretado de
forma sóbria e competente por Afflec, tem uma ideia absurda: tirá-los de lá
através de uma equipe falsa de produção de um filme falso fruto de um roteiro
tosco de ficção científica. A ideia é surreal, mas é verídica.
A partir daí, a trama se desenvolve em um
filme tenso, com doses de humor que suavizam a tensão psicológica carregada no
filme. Outro ponto para Ben Afflec e para o roteiro é fugir da patriotada
tradicional estadunidense. O filme não se furta em deixar no ar críticas à CIA
e ao governo.
Em “Argo”, Ben Afflec mostra amadurecimento
como ator e, principalmente, como diretor. Os créditos finais mostram ainda o
ótimo trabalho de reconstituição histórica do filme. E traz ainda uma fala do
Jimmy Carter falando da missão hipersigilosa que contribuiu para a “integridade”
do país. Integridade estadunidense, talvez seja uma espécie de última piada do
filme.

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