Ao
final de “Somos tão jovens”, vários sentimentos e sensações passaram por mim.
Um saudosismo por Renato Russo me lembrar muito de minha infância e
adolescência. Assim como outro grande mito do cenário musical oitentista
(Cazuza), as músicas do líder da Legião Urbana participaram da minha formação
como pessoa. A alegria de ver um filme
de um cara de quem sou fã é automática. Traz de volta uma aura do Renato.
Porém, em virtude do maior problema do filme, a superficialidade, essa aura não
dura muito. Pouco depois de deixar o cinema, todos esses sentimentos se
enfraquecem, a euforia vai embora e o que fica é a sensação de que a
cinebiografia foi muito aquém do que o músico representa.
O
filme não se aprofunda nas questões que realmente moviam a pessoa. O longa já
parte para a construção de um mito, que por si só já está estabelecido. Todo o
roteiro age em prol dessa idéia. Do Renato Russo midiático. A interpretação do
ator Thiago Mendonça contribui para essa imagem. O ator parece demorar um pouco
para atingir o tom perfeito do personagem. E quando isso acontece, nos entrega
uma interpretação bastante interessante do músico, mas que contém alguns
trejeitos que dão a idéia de Renato predestinado para virar um mito. Nada
contra a idéia dele ser um predestinado. O problema é que o filme não nos
mostra o interior do Renato. Soa apenas como um retrato com uma pose bonitinha,
mas que nos deixa sem muitas informações, não passa disso. Parece que o grande
objetivo do diretor é apresentar Renato Russo para as gerações mais jovens,
ficando apenas com a figura do mito, e evitando se aprofundar na pessoa.
O
resultado não é um filme ruim. Tem boas atuações, boas músicas. Um filme bem
feito, pena que seja apenas isso. Bem feito, porém simples e superficial. Uma
cinebiografia que foge de polêmicas, sobre um cara de personalidade tão forte
quanto era Renato Russo, deixa, depois de toda a euforia de rever parte da
história de um ídolo, uma sensação
de que poderia ser mais, muito mais.

