"A Arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Gláuber Rocha

sexta-feira, 3 de maio de 2013

JOVEM E SUPERFICIAL





Ao final de “Somos tão jovens”, vários sentimentos e sensações passaram por mim. Um saudosismo por Renato Russo me lembrar muito de minha infância e adolescência. Assim como outro grande mito do cenário musical oitentista (Cazuza), as músicas do líder da Legião Urbana participaram da minha formação como pessoa.  A alegria de ver um filme de um cara de quem sou fã é automática. Traz de volta uma aura do Renato. Porém, em virtude do maior problema do filme, a superficialidade, essa aura não dura muito. Pouco depois de deixar o cinema, todos esses sentimentos se enfraquecem, a euforia vai embora e o que fica é a sensação de que a cinebiografia foi muito aquém do que o músico representa.


O filme não se aprofunda nas questões que realmente moviam a pessoa. O longa já parte para a construção de um mito, que por si só já está estabelecido. Todo o roteiro age em prol dessa idéia. Do Renato Russo midiático. A interpretação do ator Thiago Mendonça contribui para essa imagem. O ator parece demorar um pouco para atingir o tom perfeito do personagem. E quando isso acontece, nos entrega uma interpretação bastante interessante do músico, mas que contém alguns trejeitos que dão a idéia de Renato predestinado para virar um mito. Nada contra a idéia dele ser um predestinado. O problema é que o filme não nos mostra o interior do Renato. Soa apenas como um retrato com uma pose bonitinha, mas que nos deixa sem muitas informações, não passa disso. Parece que o grande objetivo do diretor é apresentar Renato Russo para as gerações mais jovens, ficando apenas com a figura do mito, e evitando se aprofundar na pessoa.


 O resultado não é um filme ruim. Tem boas atuações, boas músicas. Um filme bem feito, pena que seja apenas isso. Bem feito, porém simples e superficial. Uma cinebiografia que foge de polêmicas, sobre um cara de personalidade tão forte quanto era Renato Russo, deixa, depois de toda a euforia de rever parte da história de um ídolo, uma sensação de que poderia ser mais, muito mais.

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