"A Arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Gláuber Rocha

sábado, 5 de novembro de 2011

Trecho do livro Viagem à Nossa Terra (1846), do escritor português Almeida Garret:

"(...) Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento Inglês, onde, depois de tantas comissões de inquéritos já deve de andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes de tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis (p. 36). (...)"
GARRETT, Almeida: Viagens à minha terra. São Paulo: Editora Três, 1973. 

Caro Almeida Garret, de 1846 (o ano da publicação da primeira edição do seu livro) para os dias atuais do corrente ano de 2011, as coisas só pioraram, e muito.

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