"A Arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Gláuber Rocha

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CINEMA NACIONAL A LA CRISTOPHER NOLAN



A qualidade e a versatilidade do cinema nacional cresceram notoriamente. Hoje temos uma diversidade que não era vista antes. Temos o filme mais cabeça, filmes de ação, filmes políticos, documentários de qualidade e comédias aos borbotões. Porém o primeiro longa-metragem do diretor Afonso Poyart , “2 Coelhos”, parece trazer algo novo para o cenário cinematográfico nacional.
O filme, em sim, não traz nada do que já não tenhamos visto antes em filmes americanos. Como Afonso Poyart é oriundo da animação, de comerciais e de clipes, ele empregou sua experiência nessas mídias, aliada a vários elementos da cultura pop e influências de diretores americanos como Tarantino e Zack Snider para levar às telas um filme divertido e que com certeza é um belo entretenimento, mas não fica só nisso. É aí que entra o que me parece uma outra influência na obra de Poyart: Cristopher Nolan.
Nolan é um diretor que parece saber como poucos aliar entretenimento e conteúdo. Mesmo filmes comerciais como “Batman, O Cavaleiro das Trevas” e “A Origem” aliam todos os elementos do cinemão de entretenimento hollywoodiano com um texto bem escrito que foge dos clichês habituais e trazem até uma certa reflexão. Poyart, claro, em seu primeiro longa, não está no nível do diretor britânico-americano, mas “2 Coelhos” uni muito bem o entretenimento pop, comercial, com um texto bem elaborado, bem amarrado, que faz com que o filme dure mais na cabeça do público que sai do cinema do que muitas dessas comediazinhas e filmes de ação descerebrados que se proliferam não só aqui no Brasil como fora também.
Alguns podem até argumentar, criticar o fato de o filme de Poyart parecer mais um filme americano do que um nacional, mas a julgar pelas influências e referências que podemos ver em “2 Coelhos”, é preferível copiar o que tem qualidade a ver comédias e filmes de ação brasileiros com cara de fast food requentado estadunidense.

Nilvio P. Pinheiro

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