"A Arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Gláuber Rocha

sábado, 21 de janeiro de 2012

SIMPLICIDADE E CERTO DESPREZO

Bebendo um chope em Botafogo numa tarde agradável de janeiro, curtindo as férias que teimam em rumar para o fim, fiz uma comparação que, à primeira vista, pode parecer esdrúxula, mas que me apressarei em explicar: a comparação entre mim e Garrincha.

Claro e evidente que não estou me referindo ao futebol, já que sou um modestíssimo peladeiro e Garrincha é o Anjo das Pernas Tortas, foi um dos maiores de todos os tempos (se não o maior, pelos vídeos, sou mais ele do que o Pelé). Também não estou me referindo ao nosso apreço em comum pelo álcool, onde ele também me supera. 


Pensei nessa comparação quando bebia um chope de Viena, logo após ter bebido um chope de trigo de sei lá onde. Qunado assim pensei: “Estou aqui bebendo esses chopes importados, mas não tardarei a estar bebendo cervejas bem mais modestas. O que na verdade não me faz muita importância, já que depois de algumas doses as bebidas começam a ficar menos diferentes até que seus sabores chegam a quase se igualar.” E foi esse desprezo pelo requinte de uma cerveja tal ou de um chope tal que me fez lembrar uma estória sobre o nosso saudoso Mané. Ele voltava da vitoriosa campanha da Copa de 62 quando foi interpelado por um jornalista acerca do time que achou mais difícil de enfrentar e Garrincha, com sua simplicidade e um certo desprezo pelo requinte da seleção rival,– da qual não se lembrava do nome e nem eu agora me lembro – respondeu que era a que usava a camisa igual a de um time pequeno daqui do Rio, do qual também não me recordo o nome agora.

Foi essa estória que me fez chegar à citada comparação. Garrincha jogava, driblava, desnorteava seus adversários sejam lá da onde forem, Inglaterra, Suécia, Itália, Bangu ou São Cristóvão. Era o simples prazer de jogar futebol. E eu tomo meu chope ou cerveja seja lá de onde também, Viena, Alemanha ou, simplesmente, Itaipava. Pelo simples prazer de beber.


Nilvio P. Pinheiro

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