O
trabalhador acorda cedo. Sai para ir ao trabalho. Para numa banca e se depara
com várias opções de jornais. Pode comprar o “Extra”, “Meia Hora”, “Expresso”,
“O Dia”. Se for um pouco mais requintado, pode comprar “O Globo”. Ou seja, a
mídia capitalista está em todas as classes. Jornais impressos, rádios,
telejornais, eles também estão em todos os tipos de mídias.
Alguns pseudoespecialistas falam em
crise do Capital. Como pode estar em crise o sistema que controla mente das pessoas?
Como pode estar em crise o sistema que dita o que os indivíduos vão ter vontade
de comprar? Ou em quem vão votar? Como pode estar em crise um sistema que
controla os próprios meios para sair da crise?
Não. O capitalismo não está em crise.
Pode ter sim, sentido um abalo. Mas tal qual um vírus, ele sofre uma mutação
que lhe garantirá uma boa sobrevida. Esta mutação poderia ser evitada e
combatida se tivéssemos um movimento de esquerda coeso e realmente alinhado com
o povo. Os esparsos golpes que os movimentos de esquerda brasileiros conseguem
aplicar à elite burguesa funcionam como antibióticos mal utilizados que só fazem
com que o vírus capitalista se transforme e se fortaleça. Vemos discussões
fervorosas em defesas de vários pontos de vista dos mais variados militantes
esquerdistas.
Alguns mais radicais, outros menos.
Alguns grandes devoradores de Marx, outros menos embasados, mas críticos e
conhecedores o suficiente para debater. Enquanto os ricos debates recheados de
teses acadêmicas revolucionárias se esquentam, trabalhadores de todo Brasil
continuam se espremendo em coletivos hiperlotados. Crianças e adolescentes
continuam tendo uma educação precária com professores mal formados, mal pagos e
mal aparelhados. Homens, mulheres, crianças e idosos sofrem em filas de
hospitais para serem atendidos por médicos (alguns incompetentes ou
negligentes) com poucos e débeis recursos. Policias criminosos continuam
desrespeitando e até matando negros e pobres em favelas e comunidades pobres.
Trabalhadores rurais são escravizados e mortos no campo. Ou seja, enquanto a
esquerda debate sobre o sexo dos anjos marxistas, o Capital continua com sua
mão forte e pesada chicoteando o lombo do povo brasileiro.
É fato. A esquerda, movimentos de
motivação socialista de um forma geral não falam a língua do povo. Não dialogam
com o povo. Não atingem grandes massas. Não há um projeto para a esquerda se
fazer ouvir. Pensadores, políticos, militantes, esquerdistas de uma forma geral
são taxados como loucos porque o que falam, o povo não entende. Entraram num estereótipo
que foi criado para eles e de lá não saem. O pensamento socialista parece se
cristalizar, se engessar. Fala-se em luta contra o capital, mas essa luta está
perdida há muito tempo, porque ninguém parece fazer nada realmente consistente
para tentar revertê-la.
Perguntar não ofende: qual jornal impresso, revista
periódico, enfim, qual publicação de ótica esquerdista que dialoga com as
massas? Temos algumas publicações com esse tipo de pensamento, mas dialogam
mais com iniciados, ou seja, uma espécie de elite esquerdista. Não atingem o
povo. Qual programa jornalístico independente de televisão tem um ponto de
vista de motivação socialista? Como vencer quem domina o pensamento do povo se
não se presta a realmente dialogar com este?
Esta distância em relação à massa
popular e esse academicismo esquerdista não nos levará a nada. Continuaremos
como intelectualóides de esquerda sentados sobre o estereótipo: barbudo,
maluco, comedor de criancinha gritando “Fora o Capitalismo”, enquanto o capital
continuará mais dentro do que nunca.
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