Estava eu andando pela Cúpula dos Povos (evento que se diz alternativo à Conferência Rio + 20, que é uma pseudoconferência de chefes de estado sobre uma pseudosustentabilidade) na ilustre companhia de meu amigo Zé (ilustre e inteligente companhia, diga-se de passagem) quando nos deparamos com um declamador de poemas. Já tinha visto vários elementos que encontrara ali na cúpula: índios, gringos, burgueses de merda, mas um cara que cobra um real para declamar poemas nunca tinha visto.
A curiosidade nos fez aproximar do declamador. Resolvi então pagar a quantia que, convenhamos, era ridícula perante poemas de Drummond, Quintana, Pessoa e outros. Optei pelo poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, pelos ideais que a Cúpula representava ou pelo menos deveria representar. Paguei o valor ao declamador e eu e Zé, que também era a favor de ouvir o poema de Brecht, nos preparamos para ouvir a declamação.
Na verdade foram duas declamações. Primeiro o declamador iniciou com um trecho de um longo poema do darmaturgo alemão cujo título me foge à memória. E veio, em seguida, com a leitura de um poema que julgo ser muitíssimo conhecido, mas não é por isso que deva ser menos valorizado. Tanto que decidi reproduzir aqui o poema e a declamação do nosso simpático e anônimo artista (o nome dele até estava no cartaz, porém não recordo nem da primeira, tampouco da última letra, passando pelas do meio também).
O Vídeo (perdoem-me, mas terão que assisti-lo de lado porque não tenho a mínima ideia de como se gira esse arquivo, mas deixe estar):
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
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