Tão autêntico quanto uma muamba comprada nos territórios além da Ponte
da Amizade foi o impeachment de Fernando Lugo decidido no dia 22.
O então presidente não teve sequer 24 horas para se defender das ridículas acusações que pesavam contra ele e motivavam supostamente o seu processo de destituição. Não sei como trabalha a justiça paraguaia, mas duvido que julguem um suspeito de forma mais rápida do que o parlamento golpista julgou o processo de impeachment de Lugo. Também não sei o que diz a constituição do Paraguai, mas me parece óbvio que destituir um presidente em pouco mais de 24 horas é algo absurdo. Pensem! Um presidente foi retirado, destituído, impeachmentimado do cargo em pouco mais de 24 horas.
Não tem outra definição. O nome disso é Golpe de Estado!
E não para por aí. Piora, e fica clara a má intenção do parlamento paraguaio, se lembrarmos que tudo isso aconteceu em meio ao Rio + 20, quando todas as atenções estavam direcionadas para a conferência no Rio de Janeiro. Foram oportunistas.
Os algozes de Lugo alegam um monte de baboseiras, mas não apresentaram nenhuma acusação concreta. A verdade é que Fernando Lugo, eleito democraticamente pelo povo paraguaio (povo este que protesta em sua defesa), estava voltando suas atenções para a questão da reforma agrária no Paraguai. Fato este que incomodou muita gente por lá. Incomodou a ponto de aplicarem um golpe de estado.
É inadmissível que o governo brasileiro, de quem o mundo espera um posição de liderança dentro da política Sulamericana, tenha uma posição diferente da de não reconhecer esse governo golpista e antidemocrático que ora se encontra no país vizinho. É inaceitável também que, diante da posição antidemocrática do parlamento paraguaio e do que se prega o Protocolo de Ushuaia (que rege o compromisso democrático no Mercosul), os países que compõem o Mercosul não decidam pela suspensão do Paraguai da participação do bloco.
A fama do Paraguai é de comercializar produtos falsos, mas nesse momento o que há de mais falso é o seu governo. Uma verdadeira democracia paraguaia.
Nilvio Pinheiro
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