Batman, Bane e a falsa esperança do capitalismo
Saí
do cinema depois de assistir a “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”,
último filme da trilogia de Batman do diretor inglês Cristopher Nolan, com a
sensação de alma lavada. Isso se deve ao fato de eu ser um ex-amante de
quadrinhos de super-heróis como Batman (embora o meu preferido fosse um certo
aracnídeo) e ver que é possível ter um filme do gênero que alie diversão,
respeito à história do personagem e ainda conteúdo para alguma reflexão.
Nolan
já tinha feito um filme de qualidade indiscutível, sucesso de público e
crítica, com o segundo da trilogia e agora, com o terceiro (que não chega a ser
melhor do que o anterior), ele fecha com chave de ouro a sua série de três
filmes do herói de Gotham City. Ele alia elementos comerciais e autorais e
entrega um filme de super-herói com conteúdo, um filme que também faz pensar, provando
que é possível fazer um cinema comercial de qualidade.
Logo
de cara percebemos que o diretor corrigiu um erro grotesco do equivocado filme
de Joel Shumacher, “Batman e Robin”. O mau aproveitamento de um vilão
importante na história de Batman, Bane. No (péssimo) longa de 1997, o vilão
surge como um capanga imbecil interpretado por Arnold Shwarzenegger. Já no
atual filme de Nolan, Bane, interpretado por Tom Hardy, surge mais próximo de
sua história nos quadrinhos; um vilão inteligente, poderoso e temido. Outros
personagens também são muito bem aproveitados, como a Mulher Gato, bem
interpretada por Anne Hathaway. Além de referências a outros personagens como o
Robin.Tudo bem feito e encaixado no roteiro.
A
exemplo do filme anterior, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, este terceiro
longa traz algumas reflexões interessantes. Em um determinado momento do filme,
após derrotar Batman em uma luta corporal, Bane relata para o herói como ele
irá castigar a população de Gotham City. Para isso ele diz que lhes dará
esperança, ou melhor, uma falsa esperança, um falso sentimento de liberdade,
para depois acabar com toda a cidade. Bane age como o sistema que controla o
mundo atual faz muito bem. Dá falsas esperanças para o povo, falsos sentimentos
de liberdade, para usar e abusar dele. Bane faz uso, inteligentemente, de uma
estratégia que o sistema capitalista lança mão de forma bastante eficaz. Ilude
para castigar, para tirar proveito, sem que se perceba.
Só
na ficção temos um milionário abnegado com Bruce Wayne, que abre mão de sua
vida, de sua luz, para tirar os outros menos favorecidos das trevas. Enquanto
homens a serviço do sistema que usa estratégia semelhante à de Bane,temos aos
montes do lado de cá da tela. Desde mega empresários tidos como grandes
empreendedores que na verdade enriqueceram às custas do suor e do dinheiro
alheios, até apresentadores de televisão bonzinhos que se sensibilizam
facilmente com o problemas das pessoas que são utilizadas como fetiches em seus
programas, passando pelos políticos corruptos e donos de igrejas que lavam
dinheiro sujo na televisão.
Dizem
que Batman é um dos heróis mais realistas por não ter super poderes, mas na
verdade um empresário milionário que se sacrifica pelo coletivo é tão irreal
quanto um Hulk. Na vida real, homens com a filosofia de Bane são muito mais comuns.
Nilvio P. Pinheiro

Adorei, Nilvio!
ResponderExcluirExcelente reflexão!